domingo, 15 de novembro de 2009

Ter um filho...plantar uma árvore...escrever um livro...


Durante minha vida toda, até aqui, ouço de pessoas diferentes que não devemos sair dessa vida sem ter tido um filho, sem ter plantado uma árvore e sem ter escrito um livro...

...já tive filhos, já plantei árvores...vou ficar devendo o livro (não tenho talento para tanto)...
em contrapartida fiz outras coisa bem relevantes...

Já tomei banho de esguicho no quintal...
...fiz "guerrinha-de-torrão-de-terra" com meus irmãos...
...fumei "cigarrinho-de-talo-de-chuchu" escondidinha...
...fiz "batizado-de-bonecas" com festinha e tudo...
...fiz "enterro-de-formigas" no fundo do quintal de casa...
...comi uma caixa de sorvete Kibon, sabor chocolate, escondida de "todo-mundo"...(isso foi há uma semana...hihihi...).

Acho que por isso tudo que já vivi, serei perdoada por ficar "devendo" o livro...


Para quem já fez tudo isso e ainda conseguiu escrever um livro...ou não...

sábado, 14 de novembro de 2009

Um outro "menino maluquinho"...


Estava voltando da cabeleireira, caminhava tranquila, quando de repente um menininho correu, abraçou minhas pernas e falou - "me dá um beijo".

Eu abaixei-me, êle me abraçou e me deu um beijo, retribuí meio aturdida, procurando alguém que pudesse estar acompanhando o garoto que não tinha mais que dois aninhos.

Perguntei seu nome..."Lucas", me disse. Aí, de um dos portões saiu uma moça aflita gritando pelo Lucas, que a essa altura já estava em meu colo. Sorri pra ela, ela também sorriu, pegou o Lucas e entrou, fechando o pesado portão de ferro, sem dizer nenhuma palavra.

Quanto a mim, segui meu caminho para casa, sentindo ainda o doce abraço de um "menino maluquinho" chamado Lucas...

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Luz de velas...


Ontem teve um apagão...bem na hora que me programo para ficar enfrente ao computador, brincando de escrever.

Logo que a luz apagou, imaginei que em alguns minutos a "Eletropaulo" repararia o defeito e tudo voltaria ao normal. Esperei ...nada. Então começamos a conversar e a luz de velas preparar alguma coisa para comer...e a comer sob a luz de velas. Ficamos até tarde conversando e rindo e brincando com o escuro ... e de contar causos de assombração...

Acho que serviu para resgatarmos um tempinho a mais com a família...quando finalmente resolvi deitar-me, ainda sem luz, já estava gostando do apagão.

Para aqueles que como eu aproveitou o "apagão" sem "apagar"...

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Nossos "muros"...


Muito bom poder comemorar a segunda década da queda do Muro de Berlim...

Fazendo uma analogia e respeitando-se as dimensões, muitos "muros" ainda precisam ser derrubados neste "mundo-velho-sem-porteiras", mas cheio de barreiras quase intransponíveis...

Muitos de nós também deveríamos derrubar nossos "muros internos"...
...muros que separam, que desrespeitam, que agridem, que nos impedem a visão, que nos calam, que nos tornam amargos e infelizes...

Já derrubei vários muros que eu própria havia criado em mim...tenho muitos outros para derrubar...

domingo, 8 de novembro de 2009

Gente especial...


Tem gente que é gente como a gente, mas tem um brilho especial no olhar... um jeito especial de se fazer notar, de se fazer presente... Tem gente que está próximo e parece distante e tem gente que está distante e não sai do nosso pensamento... Tem gente que é parente da gente, e não sabe quem a gente é...e tem gente que viu a gente pela primeira vez "ontem", e consegue enxergar por dentro da gente como se transparente fossemos... Tem gente que tem o dom de acalmar...de animar... de aninhar...de fazer o coração da gente se encher de esperança... Tem gente que transmite confiança, mas que olha a gente com os olhos de criança e nos faz sentir o coração vibrar... Tem gente que nasce e cresce tão longe da gente, e um dia a gente encontra e a afinidade é tanta e tamanha que parece que sempre estivemos juntos... Tem gente que a vida aproxima da gente e a gente sente que sempre esteve presente...
Para meu sobrinho Bart Stalder, que é gente como a gente, mas que veio ao mundo com uma luz que brilha de um jeito especial, e com o coração de um anjo dos céus...

sábado, 7 de novembro de 2009

Janelas...

Janela de apartamento me faz voar na imaginação...Gosto de pensar em como é a vida das pessoas que ali vivem, umas sobre as outras e ao lado e abaixo...pra todo lado tem luz acesa, tem gente, tem sonho...
Tem quem mora só...tem quem mora junto...( com família, com amigo, com o cachorrinho, com namorado...)
Que problemas terão? ... que soluções encontram? ...quais os sonhos?
Quais as batalhas que travam com a vida e consigo mesmos? Quais as vitórias?
A noite vai caindo e as luzes se acendendo aos poucos... uma ali, outra mais acima, e ao lado...
Em cada janela uma estória, com alegrias e tristezas, amores e desamores, assim como a vida é.

"...janela de apartamento parece estória em quadrinhos..."

Homem entrando calorento afrouxando o colarinho
A mulher vem lá de dentro: um abraço um beijinho.
Janela de apartamento parece estória em quadrinhos

Lá naquela um cachorrinho, acho que fica sozinho,
a maior parte do tempo
Do lado mora um velhinho que nunca recebe gente
Acho que vive somente pra cuidar dos passarinhos.

O jantar está saindo ali, naquele do centro.
Todos comendo assistindo a novela do momento.
Em cima do cachorinho vagou um a pouco tempo.
Ali morava um brotinho que pra todos os vizinhos
era um acontecimento.
Saudades daquele tempo, aluga-se apartamento.

O homem do colarinho foi na janela um momento.
A mulher foi lá pra dentro, o casal tem um filhinho.
E o velhote sonolento, que dorme com os passarinhos,
fecha a cortina um pouquinho, tira a gaiola do vento,
apaga a luz do aposento.
Janela de apartamento parece estória em quadrinhos.
(Renato Rocha/MPB-4)

terça-feira, 3 de novembro de 2009

A seringueira...


Ela deve ter incomodado alguém muito feio, possivelmente por ser bonita...
alguém muito fraco, pois ela era forte, grande, altiva...
alguém egoísta, pois ela se doava ...em forma de abrigo, protegia pássaros, pequenos insetos, algum outro animalzinho e também pessoas...


Há algum tempo, uma senhorinha (85 anos) falou para quem tem "ouvidos-de-ouvir" , que há mais ou menos sessenta anos tinha plantado a seringueira. Frondosa, nos presenteava com sua sombra, com sua beleza, com sua grandeza (tronco com diâmetro de mais ou menos 150cm). Ficava aqui, ao lado de casa, protegendo a todos que no ponto de ônibus esperava pela condução demorada.

Hoje tombou pela mão do homem. A "prefeitura" mandou tirar, foi só o que soubemos...
Muitos homens (de calças verde e blusão laranja), certamente empregados de alguma "empreiteira terceirizada" , colocaram-na ao chão...Tombou a gigante, o chão tremeu...eu tremi por dentro, entrei e fechei a porta " de frente pro crime".

Para a senhorinha que plantou a seringueira, convido-a a continuar plantando árvores, mesmo com todo seu tempo de vida, não desista...eu, aqui do meu lado, farei o mesmo...assim nos vingaremos...